Av. Augusto Severo, nº 8 - Glória - 20021-040 - Rio de Janeiro - RJ.
Edição: Victorino Chermont de Miranda - Colaboração: Arno Wehling
Só os nomes dos sócios do IHGB são grafados em negrito
Informações para o Noticiário também pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

ANO SOCIAL ABRE COM POSSE DA DIRETORIA PARA O BIÊNIO 2020-2021

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Em sessão solene, na tarde de 11 de março, no Salão Nobre, a Diretoria eleita, na AGO de 18 de dezembro, tomou posse para o biênio 2020-2021, tendo como presidente Victorino Coutinho Chermont de Miranda, como 1º, 2º e 3º vice-presidentes Jaime Antunes da Silva, João Maurício Wanderley de Araújo Pinho e Alberto Vasconcellos da Costa e Silva, 1ª e 2ª secretárias Lúcia Maria Paschoal Guimarães e Maria de Lourdes Viana Lyra, tesoureiro Fernando Tasso Fragoso Pires e orador José Almino de Alencar e Silva Neto.

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Foram também empossados os membros titulares do Conselho Fiscal, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, Marcos Guimarães Sanches e Miridan Brito Falci e os suplentes Esther Caldas Bertoleetti, João Eurípedes Franklin Leal e Vera Lúcia Cabana de Andrade, assim como os membros das Comissões Permanentes eleitos na citada Assembleia Geral.

O presidente reafirmou o compromissos de ANO SOCIAL ABRE COM POSSE DA DIRETORIA PARA O BIÊNIO 2020-2021 Fotografias: Ivanoé 2 sua fala de 6 de maio de 2019, quando assumiu a presidência pelo restante do mandato da gestão anterior, e conclamou o quadro social e o corpo funcional a juntos enfrentarem as dificuldades financeiras que o Instituto vem atravessando em razão da crise do mercado imobiliário no Rio de Janeiro, de onde extrai sua principal fonte de receita.

O ato contou com a presença do chefe da Representação Regional da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Matheus Quintal, do diretor da Fundação Biblioteca Nacional, Rafael Nogueira, do cônsul geral da Espanha no Rio de Janeiro, Luís Prados, do superintende regional do IPHAN, Manoel Vieira, dos presidente do Real Gabinete Português de Leitura, Francisco Gomes da Costa, dos Institutos Históricos do Rio de Janeiro e Petrópolis, Neusa Fernandes e Maria de Fátima Argon, do Colégio Brasileiro de Genealogia, Fernando Antonio Jannuzzi, do representante do Instituto dos Advogados Brasileiros, Hariberto de Miranda Jordão Filho, do diretor da Casa da Marquesa de Santos – Museu da Moda Brasileira, Douglas Fasolato, e do coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, Sergio Burgi, além do professor Arno Wehling, presidente de honra do IHGB, sócios, funcionários, estagiários, colaboradores externos, convidados.e familiares do empossando.

A solenidade foi seguida de um vinho de honra oferecido pelo presidente e senhora.

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INSTITUTO PERDE SEU DECANO

O IHGB viu-se desfalcado, em 15 de março, de seu ex-2º vice-presidente e decano Afonso Arinos de Mello Franco.

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Nascido em Belo Horizonte a 11/11/1930, formou-se em Diplomacia pelo Instituto Rio INSTITUTO PERDE SEU DECANO 3 Branco (1952) e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil (1953), Afonso Arinos fez, em 1955, o Curso do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e, em 1957, o de Direito Internacional na Universidade Internacional de Estudos Nacionais “Pro Deo”, de Roma. Foi deputado à Assembleia Legislativa e Constituinte do Estado da Guanabara (1960- 1962), deputado federal pelo Rio de Janeiro (1964-1966) e professor-assistente de Civilização Contemporânea no Curso de Jornalismo da UNB (1965).

Foi embaixador do Brasil na Bolívia, Venezuela, Holanda e Vaticano, tendo sido ainda encarregado de negócios na Bélgica e no Luxemburgo e cônsul em Genebra.

Publicou Primo Canto, Três faces da liberdade, Atrás do espelho, Tempestade no Antiplano, Ribeiro Couto e Afonso Arinos, Diplomacia independente, Perfis em alto-relevo, Mirante e Tramonto, tendo, ainda, organizado, transcrito e apresentado o livro “Rosa de Ouro”, de seu pai.

Era membro da Academia Brasileira de Letras, do PEN Clube do Brasil, da Academia Brasileira de Arte e da Academia Fides et Ratio e correspondente da Academia Americana de Ciência Política, na Filadelfia. Ingressou no IHGB como sócio correspondente em 1971, passando a emérito em 2007, tendo exercido as funções de 3º vice-presidente (2010-2011), depois 2º (2012-2019) e a decania a partir de 2017.

ATOS DO PRESIDENTE

– Portaria nº 01, de 7 de janeiro – Nomeia o sócio Armando de Senna Bittencourt para representar o Instituto na solenidade de transmissão do cargo do Diretor Geral de Material da Marinha.

– Portaria nº 02, de 7 de janeiro – Nomeia o sócio António Manuel Dias Farinha para representar o Instituto na Sessão Inaugural das Comemorações dos 300 Anos da Fundação da Academia Real da História.

– Portaria nº 03, de 4 de março – Cria a Secretaria Executiva das Comemorações do Bicentenário da Independência do Instituto.

– Portaria 04, de 11 de março – Nomeia para ocupar o cargo de Secretário Executivo das Comemorações do Bicentenário da Independência, o sócio Paulo Knauss de Mendonça.

– Portaria nº 05, de 11 de março – Nomeia diretores adjuntos de Arquivo: Jaime Antunes da Silva; Biblioteca: Luís Cláudio Aguiar; Museu: Vera Lúcia Bottrel Tostes, Patrimônio: Armando de Senna Bittencourt, Revista: Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, Iconografia: Pedro Corrêa do Lago, Cursos: Antônio Celso Alves Pereira, Projetos Especiais: Ana Maria Pessoa dos Santos, Relações Institucionais: José Luiz Alqueres, Disseminação da Informação: Carlos Eduardo de Almeida Barata, e coordenadores da CEPHAS: Lúcia Maria Paschoal Guimarães, Maria de Lourdes Viana Lyra e Vera Lúcia Cabana de Andrade.

– Portaria 06, de 11 de março – Cria o Grupo de Trabalho da Secretaria Executiva das Comemorações do Bicentenário da Independência, sob coordenação do sócio Paulo Knauss de Mendonça, designando para compô-lo como titular, a sócia Maria de Lourdes Viana Lyra e, como suplentes, os sócios Armando de Senna Bittencourt e Vera Lúcia Bottrel Tostes.

– Portaria 07, de 16 de março – Suspende o funcionamento das atividades do Instituto e o atendimento ao público por motivo de saúde pública pela pandemia do COVID-19.

– Acordo com os funcionários do IHGB de redução de 25% horas da jornada de trabalho, nos termos do art. 133, III, da CLT, pelo período de um ano a partir de 01 de março.

– Acordo com os funcionários do IHGB de redução da jornada de trabalho por 60 dias, nos termos da Medida Provisória 936, em razão da pandemia da COVID-19.

REPRESENTANDO O INSTITUTO

– Cerimônia de Posse do Almirante de Esquadra José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, em 10 de janeiro, como Diretor Geral do Material da Marinha – o sócio titular Armando de Senna Bittencourt.

– Sessão inaugural das comemorações dos 300 Anos da Fundação da Academia Real da História Portuguesa, em 8 de janeiro – o sócio correspondente António Manuel Dias Farinha.

NOTÍCIAS DE SÓCIOS

Ana Pessoa assumiu a Chefia do Centro de Pesquisas da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Armando Alexandre dos Santos foi um dos organizadores do dossiê temático sobre “Doença e Guerra na Antiguidade e Idade Média”, publicado, em janeiro, no número 30 da revista Mirabilia Journal, do Departamento de Estudos Medievais da Universidade Autônoma de Barcelona.

Arnaldo Niskier assina, na Folha de São Paulo, artigo sobre o último livro de Ruy Castro – “Metrópole à Beira-Mar”, lançado pela Companhia das Letras. Dia 1 mar.

Arno Wehling participou em banca de doutoramento de Mônica Pádua Souto da Cunha sobre “A Justiça Criminal no Período Imperial: o caso de Pernambuco (1831-1850)”, no Programa de Pós Graduação em História da UFPE (fev.), e teve seu artigo “Cairu e o ‘comércio franco e legítimo’”, publicado na Revista Interdisciplinar de Direito, Valença, UniFAA, jan.-jun.

Celso Lafer, Fernando Henrique Cardoso e Rubens Riccupero assinaram manifesto conclamando pela reconstrução da política externa brasileira. Dia 8 maio.

Christian Lynch foi entrevistado por O Globo acerca do papel das Forças Armadas no atual governo. Dia 16 jun.

Dora Alcântara e Victorino Chermont de Miranda foram reconduzidos às representações institucionais do IAB e IHGB no Conselho Estadual de Tombamento do Rio de Janeiro para o biênio 2029-2021.

Fernando Henrique Cardoso evocou, em sua coluna de O Globo, o exemplo de Tancredo Neves e Ulisses Guimarães como políticos de diálogo, diferentes no modo de ser, mas ambos empenhados em buscar denominadores comuns em momentos críticos. Dia 7 jun.

Jaime Antunes da Silva assumiu a diretoria do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas IFCH/CCS/UERJ.

Joaquim Falcão comentou, em sua coluna em O Globo, a assertiva do presidente da República de se ver como a própria Constituição. Dia 3 maio.

José Luiz Alqueres organizou, a convite da Megawhat, Casa Firjan e Cebri, dois debates, via webimar, intitulados “Da Pandemia à Utopia”, sobre um futuro desejável pós pandemia. Dias 19 maio e 12 jun.

José Murilo de Carvalho abordou, em sua coluna em O Globo, o papel das Forças Armadas nas diversas constituições do Brasil no Império e República. Dia 31 maio.

Marco Lucchesi, entrevistado por O Globo, condenou a censura de livros nas escolas de Rondônia e nos presídios de São Paulo e denunciou o estado de verdadeira calamidade pública, em que se está, em matéria de leitura, referindo existirem, no Brasil, cem milhões de analfabetos funcionais e 44% de pessoas que não tem o hábito da leitura. Dia 17 fev.

Marcos Azambuja, em O Globo, abordou as contradições destes tempos de pandemia, a partir de três emblemáticos cenários: o do imenso porta-aviões norte-americano ainda assim atacado pelo coronavirus, o da Casa Branca e do Palácio da Alvorada como se nada estivesse ocorrendo em volta, e o da Praça de São Pedro vazia, mas acompanhada por imensa audiência virtual na “comunhão da mais cosmopolita das religiões, com sua cidade-sede e com o mundo ao redor”. Dia 21 abr.

Maurício Vicente Ferreira Junior participou de live, no Youtube, sobre o lançamento do Anuário do Museu Imperial – nova fase, em comemoração dos 80 anos de fundação do Museu. Dia 30 jun.

Pedro Corrêa do Lago foi entrevistado pelo Correio Brasiliense sobre sua coleção de documentos de grandes personagens, objeto de recente livro lançado pela editora alemã Taschen Book. Dia 25 jan.

Roberto DaMatta dissecou, no artigo “A nudez do Brasil”, em O Globo, o paradoxo de se ter de enfrentar um inesperado vírus (“assassino sem rumo”) num mundo motivado a tudo explicar. Dia 1 abr.

Sergio Paulo Muniz Costa realizou palestra, via Webinar, no 30º Forum Permanente de História do Direito da EMERJ, sobre “A formação e a evolução do Brasil segundo a sua História Militar”. Dia 16 jun.

SÓCIOS FALECIDOS

O IHGB registrou, em junho, três perdas em seu quadro social: o economista, professor e empresário Carlos Ribeiro Lessa (dia 5, no Rio de Janeiro), o historiador Fernando Lourenço Fernandes (dia 15, em Brasília) e o historiador e professor Luís Henrique Dias Tavares (dia 22, em Salvador).

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Nascido no Rio de Janeiro a 30/07/1936, Carlos Lessa formou- -se em Ciências Econômicas pela antiga Universidade do Brasil, hoje UFRJ (1959), da qual viria, em 2002, a ser eleito reitor, tendo concluindo o mestrado pelo Conselho Nacional de Economia (1960) e o doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (1976). Lecionou no Instituto Rio Branco (1961-1964) e, quando exilado, na CEPAL e no ILPES (1962-1968), na Universidade do Chile (1967) e no Instituto para Integração da América Latina (1966-1969). De volta ao Brasil, lecionou na Unicamp e na Faculdade de Economia da UFF. Presidiu o BNDES, nos anos 2002-2004. Atuou também na política, nos quadros do PMDB e, posteriormente, no PSB. Colecionador de livros raros e de porcelanas chinesas, foi um apaixonado cultor do patrimônio cultural carioca, tendo reformado inúmeros imóveis na Rua do Rosário, onde instalou uma livraria, e depois, inaugurou, no Catete, a casa de shows Casarão Ameno Resedá. Foi eleito sócio honorário do IHGB em 2011. Seu pai, Clado Ribeiro Lessa (1906-1960), foi também membro do IHGB.

ihgb noticiario 331 jan jun img 08Fernando Lourenço nasceu a 19.09.1937 no Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Direito pela UERJ e foi auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal e professor da Escola de Administração Fazendária do Ministério da Fazenda – ESAF e do SERPRO. Aposentado, dedicou- -se a estudar as navegações no Atlântico-Sul, no final do século XV e início do XVI, tendo escrito os livros O Planisfério de Cantino e o Brasil (1998), A Armada de 1500 e as singularidades de arribada na escala do Atlântico-Sul (1993) e A Viagem de Pedro Alvares Cabral e o Descobrimento do Brasil (2003), este na coleção da História da Marinha Portuguesa. Duas vezes premiado pelo Governo da Espanha, foi distinguido, em Portugal, com o Prêmio Almirante Sarmento Rodrigues, da Academia de Marinha. Na revista História, v. 27, da USP, publicou “A Feitoria Portuguesa do Rio de Janeiro” e colaborou também na coletânea Pau Brasil – I, da Axis Mundi (2002). Posteriormente, voltou-se para o estudo da FEB nos campos da Itália, com o livro A Estrada para Fornovo: a Força Expedicionária Brasileira, outros exércitos e outras guerras: 1944-1945 Era sócio da Academia de Marinha de Lisboa e do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Foi eleito correspondente do IHGB em 2010.

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Luís Henrique nasceu, em Nazaré, BA, a 25.01.1926. Bacharel e licenciado em Geografia e História na UFBA, nela se doutourou em História do Brasil (1951), tendo obtido o pós-doutoramento na University College de Londres (1977/1978) e no Institute of Latin American Studies, da Universidade Londres (1985/1986) e os títulos de Fellow Professor e Honorary Research Fellows em tais instituições. Foi catedrático da UFBA e pesquisador do CNPq e do INEP, fundador do Curso de Pós-Graduação em Ciências Humanas (depois Sociais) da UFBA, diretor do Arquivo Público e do Departamento de Educação Superior e Cultura do Estado e bolsista em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Publicou, dentre outros, História da Bahia (1959), O movimento revolucionário baiano de 1798 ((1961), O problema da involução industrial da Bahia (1966), Pedro Calmon (1977), A independência do Brasil na Bahia (1982), Manuel Vitorino: um político da classe média (1981), O fracasso do Imperador: Abdicação de Dom Pedro (1986) e Comercio proibido de escravos (1988). Era membro da Academia Portuguesa da História. Foi eleito correspondente do IHGB em 1975.

EFEMÉRIDES DO QUADRO SOCIAL EM 2020

– Centenários de Nascimento – Jarbas Passarinho (11 jan.), Newton Lins Buarque Sucupira (5 maio) e D. Eugênio de Araujo Sales (3 nov).

– Sesquicentenários de Nascimento – Afrânio de Mello Franco (28 fev.), João Luís Alves (23 maio), João Pandiá Calógeras (20 jul.), Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (5 set.), Alberto Lamego (2 out.).

– Bicentenários de Nascimento – Olegário Herculano de Aquino e Castro (30 mar.), Joaquim Norberto de Souza e Silva (6 jun.), Joaquim Manuel de Macedo (24 jun.).

– Cinquentenários de Falecimento – Rivadávia da Cunha Correia (9 fev.), Thiers Martins Moreira (19 maio), Anibal Freyre da Fonseca (22 out.), Enéas Martins Filho (19 nov), Edgard Castro Rebelo (24 nov.), Estevão Leitão de Carvalho (29 nov).

– Centenário de Falecimento – D. Luís de Orleans e Bragança (26 mar.), Manuel Emílio Gomes de Carvalho (23 dez.).

OUTRAS NOTÍCIAS

ihgb noticiario 331 jan jun img 10Graças ao empenho da Diretora de nossa Revista, Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, e o concurso financeiro dela e de Antonio Celso Alves Pereira, Arno Wehling, Cleyson de Moraes Mello e Lúcia Maria Paschoal Guimarães, foi possível, nestes tempos de crise financeira, realizar a edição on line do tomo 482 da referida publicação, contendo onze artigos, dois documentos e uma resenha.

NOTA DE SAUDADE

O IHGB registrou, com pesar, o falecimento, em 10 de fevereiro, de seu colaborador Ivanoé Gomes Pereira, que, por longos anos, teve a seu encargo a cobertura fotográfica das reuniões e solenidades do Instituto, da ACRJ, do IHGRJ, PEN Clube, Academia Carioca de Letras e da Academia Brasileira de Arte. Prestativo, eficiente e cordial, deixa saudades. O IHGB fez-se representar, em seu sepultamento, pelo gerente administrativo Jeferson dos Santos Teixeira.

LIVROS RECEBIDOS E ALGUMAS PESQUISAS

Estas seções voltarão a ser publicadas após a retomada das atividades do IHGB.

CLÁSSICOS DA HISTÓRIA

Existe, é estranho dizer, um desprezo pela morte e uma coragem mais repugnante e mais desprezível que o medo: é o dos negociantes e de outros homens que se dedicam a ganhar dinheiro, e que muitíssimas vezes, por ganhos até mínimos e por sórdidas economias, recusam- -se obstinadamente a adotar cuidados e providências necessários à própria conservação, e se expõem a riscos extremos, em que, não raramente, heróis vis padecem com morte vituperada. Dessa abominável coragem há exemplos famosos, que provocaram danos e tragédias a povos inocentes, na ocasião da peste, mais conhecida como Cholera Morbus, que flagelou a espécie humana nestes últimos anos.

Giacomo Leopardi (1798-1837), Pensamentos,
Belo Horizonte, Âyiné, 2017, p. 26

ESCRITA DA HISTÓRIA

Até recentemente, historiadores hesitaram em permitir que o corpo entrasse em seus anais eruditos. A separação das ciências sociais e biológicas e uma insistência na necessidade de privilegiar a razão garantiram que forças viscerais da história humana ficassem de lado. Dentro da tradição ocidental moderna do dualismo mente-corpo, historiadores tenderam a insistir que o foco adequado de sua pesquisa deveria ser a cultura, não a natureza. Como a fisiologia humana é considerada natural e estática ao longo do tempo, tentativas de incluir aspectos somáticos de experiências vividas são vistas como reducionistas. Mas descartar os aparentemente passivos dons de poderes corporais, movimentos e facilidades sensoriais, desincorporou atores históricos. Indivíduos e grupos do passado se tornaram itens etéreos culturais e econômicos... Para esses construcionistas sociais linha-dura, o “discurso” reina. O corpo é apresentado como totalmente construído por regimes culturais de poder, deixando o indivíduo escravizado a discursos e instituições disciplinadoras.

Apesar disso, para todos os indivíduos, o corpo continua o lugar da experiência direta. A vida, na verdade toda a história, é experimentada por meio de reações somáticas. Independentemente do desejo consciente, as pessoas são traídas pela fisiologia em termos de respiração, circulação, digestão e excreção. Isso não significa ir ao outro extremo, negando que os corpos são constituídos dentro de um espaço temporal e social. (...) Portanto, os historiadores devem adotar uma abordagem “estesiológica” das pessoas do passado – isto é, uma abordagem que reconheça a história das reações corporais e emocionais ao mundo. Afinal, pessoas amedrontadas têm um corpo - observem o tremor dos membros e a alegria histérica dos sobreviventes de desastres. Embora haja um teatro para a psicologia do medo... nem sempre ele é coreografado segundo qualquer esquema de classe, gênero ou etnia pré-determinado.”.

Joanna, Bourke, Como corpos fisicos afetam a transformação cultural?
inHarriet Swain (org.), Grandes questões da História,
Rio de Janeiro, José Olímpio, 2010, p. 304-306